DA CONSTRUÇÃO CIVIL AO FUTEBOL
- alexandercaus73

- 5 de jun.
- 5 min de leitura
Atualizado: 16 de jun.
NUNCA É TARDE PARA MUDAR DE JOGO
Existem histórias de pessoas que nasceram dentro do futebol.
Existem histórias de pessoas que cresceram sonhando com o futebol.
E existem histórias de pessoas que encontraram o futebol depois de uma vida inteira trabalhando em outra profissão.

Essa é uma dessas histórias.
Durante 27 anos da minha vida, trabalhei na construção civil.
Entrei nesse mercado ainda muito jovem. Aos 16 anos já estava envolvido com obras, clientes, fornecedores, projetos e desafios que fazem parte da rotina de quem vive nesse setor.
Ao mesmo tempo, eu carregava uma paixão antiga.
Sempre gostei de marketing.
Sempre gostei de comunicação.
Tanto que minha formação universitária foi em Publicidade e Propaganda.
Mais tarde, também fiz uma pós-graduação em Gestão e Marketing pela ESPM.
Mas a vida tem seus próprios caminhos.
Mesmo formado, continuei trabalhando na construção civil.
Os anos passaram.
Vieram projetos.
Vieram desafios.
Vieram conquistas.
E assim foi durante quase três décadas.
Até que tudo mudou.
Quando eu estava próximo dos 45 anos, uma grande crise atingiu a empresa.
Depois de muitos anos de trabalho, fui obrigado a encerrar as atividades.
Foi um momento difícil.
Quem já precisou fechar uma empresa sabe exatamente do que estou falando.
Existe preocupação.
Existe insegurança.
Existe medo.
Mas existe também algo muito poderoso.
A oportunidade de recomeçar.
E foi exatamente nesse momento que me fiz uma pergunta simples:
"Se eu pudesse começar de novo, o que eu realmente gostaria de fazer?"
A resposta veio imediatamente.
Eu queria trabalhar com marketing.
Mas dessa vez dentro do esporte.
Mais especificamente dentro do futebol.
Foi então que tomei uma decisão que mudaria completamente a minha trajetória.
Voltei para a sala de aula.
Embora já tivesse diploma universitário e uma pós-graduação, eu sabia que precisava me atualizar.
O mundo havia mudado.
O esporte havia mudado.
O marketing havia mudado.
Era necessário aprender novamente.
Procurei um curso que unisse gestão, marketing e esporte.
Encontrei esse caminho na Trevisan Escola de Negócios.
Ali iniciei um MBA em Gestão e Marketing Esportivo.
Durante dois anos mergulhei em um universo completamente novo.
Aprendi conceitos.
Conheci profissionais.
Participei de discussões.
Estudei casos reais.
Mas havia um detalhe importante.
Conhecimento teórico sozinho não abre portas.
Era preciso ganhar experiência.
E foi exatamente isso que comecei a fazer.
Naquele período, praticamente todos os projetos que apareceram eram voluntários.
Nenhum deles pagava um único centavo.
Mas todos eles pagavam algo muito mais importante.
Experiência.
Currículo.
Relacionamento.
Aprendizado.
Por isso aceitei todos que pude.
Um dos mais importantes foi o Hackathon do Allianz Parque.
Hackathons são eventos criados para desenvolver soluções para problemas específicos.
Naquele caso, os desafios estavam relacionados ao mercado esportivo.
Participei da coordenação do projeto e tive contato com profissionais de grandes empresas e organizações.
Ali estavam executivos da Globo, do Twitter, da Volkswagen e de diversas instituições ligadas ao esporte e à inovação.
Outro projeto marcante aconteceu no basquete de Mogi das Cruzes.
Junto com colegas do MBA, participei da construção de uma proposta de programa de sócio-torcedor para a equipe.
Foi nesse trabalho que tive contato mais profundo com uma ferramenta chamada Focus Group.
Um dos integrantes do grupo trabalhava em um grande banco nacional e trouxe para o projeto uma metodologia de pesquisa qualitativa extremamente utilizada pelo mercado.
Naquele momento eu não imaginava.
Mas esse conhecimento seria decisivo para o meu futuro.
Pouco a pouco fui acumulando ferramentas.
Cada projeto agregava algo.
Cada atividade ensinava uma nova habilidade.
Cada desafio ampliava minha visão sobre o esporte.
Até que um dia alguém me deu uma informação que mudaria tudo.
Disseram que havia um clube em Barueri disputando a Série B do Campeonato Brasileiro e a Série A1 do Campeonato Paulista.
Um clube que enfrentava Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos.
Mas que não possuía uma estrutura consolidada de marketing e comunicação.
Naquele instante enxerguei uma oportunidade.
E fui atrás dela.
Bati na porta do clube.
Uma vez.
Nada.
Duas vezes.
Nada.
Marquei reunião.
O executivo não apareceu.
Marquei novamente.
Também não aconteceu.
Mas continuei insistindo.
Até que finalmente fui recebido.
A reunião durou aproximadamente cinco minutos.
E nesses cinco minutos o diretor executivo me fez apenas um pedido.
"Me apresente um projeto."
Foi só isso.
Mas aquilo era tudo o que eu precisava.
Porque eu estava preparado.
O conhecimento adquirido no Hackathon havia me ensinado a estruturar apresentações objetivas.
O trabalho realizado no basquete de Mogi havia me ensinado a utilizar pesquisa como ferramenta de diagnóstico.
E os livros que vinha estudando me mostravam como transformar informação em estratégia.
Saí dali e fui para a rua.
Literalmente.
Realizei uma pesquisa de campo na cidade.
Conversei com moradores.
Coletei informações.
Entendi a relação da população com o clube.
Procurei identificar problemas, oportunidades e caminhos.
Ao mesmo tempo, uma obra teve enorme influência sobre minha forma de pensar.
O livro A Bola Não Entra por Acaso, de Ferran Soriano.
A leitura abriu minha visão para a importância da gestão estratégica no esporte.
Com todas essas peças reunidas, montei o projeto.
E voltei para apresentá-lo.
Dessa vez, a reunião não durou cinco minutos.
Durou uma hora e meia.
Durante todo esse período apresentei pesquisas, diagnósticos, propostas e estratégias.
Mostrei dados.
Mostrei oportunidades.
Mostrei caminhos.
Quando terminei, o diretor executivo sorriu.
Gostou do que viu.
E tomou uma decisão imediata.
Mandou desocupar uma sala dentro do clube.
Naquele mesmo instante.
A sala passou a ser minha.
E eu comecei a trabalhar ali naquele dia.
Sem processo seletivo.
Sem meses de espera.
Sem burocracia.
A oportunidade surgiu porque houve preparação.
E preparação gera confiança.
Trabalhei no clube durante as temporadas de 2019, 2020, 2021 e 2022.
E existe um detalhe curioso nessa história.
Durante todo esse período, a base do trabalho continuou sendo exatamente o projeto que apresentei naquela reunião.
Ele foi aperfeiçoado.
Foi atualizado.
Foi adaptado.
Mas a essência permaneceu a mesma.
Porque tinha sido construída sobre pesquisa, planejamento e conhecimento.
Essa experiência me ensinou algo que carrego até hoje.
Muitas pessoas acreditam que entrar no futebol depende de sorte.
Outras acreditam que depende apenas de conhecer alguém.
Mas a realidade costuma ser diferente.
As oportunidades aparecem com mais frequência para quem está preparado quando elas surgem.
No meu caso, foram os anos de estudo.
Foram os trabalhos voluntários.
Foram os cursos.
Foram os livros.
Foram as pesquisas.
Foram os relacionamentos construídos ao longo do caminho.
Nada aconteceu da noite para o dia.
Mas tudo aquilo que parecia pequeno e sem importância acabou se conectando no momento certo.
Por isso considero essa uma grande história de virada.
Não porque consegui trabalhar no futebol.
Mas porque ela prova que nunca é tarde para mudar de jogo.
Às vezes, a oportunidade que você procura está esperando apenas uma decisão: a decisão de começar a se preparar hoje.





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