Marketing esportivo, patrocínio e ponto de venda: quando aparecer muito não significa vender bem
- alexandercaus73

- há 6 horas
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Uma das histórias mais interessantes do marketing esportivo no Brasil envolve uma marca estrangeira de energético que decidiu entrar no mercado nacional por meio do futebol. A estratégia, à primeira vista, parecia perfeita: associar a marca a um grande clube, ganhar visibilidade imediata e despertar o interesse de milhões de torcedores.
Mas havia um problema.
A empresa pensou muito bem em aparecer. Só não pensou com a mesma eficiência em vender.
Para entender esse caso, é importante voltar ao básico do marketing. Antes de qualquer grande campanha, patrocínio ou ação de exposição, uma marca precisa compreender os chamados 4 Ps do marketing: produto, preço, promoção e praça.
O produto é aquilo que será oferecido ao consumidor. No caso de um energético, envolve sabor, embalagem, identidade visual, qualidade, proposta de valor e adequação ao gosto e à cultura do mercado local. Uma marca internacional, antes de entrar no Brasil, precisa avaliar se seu produto conversa com o consumidor brasileiro, se a embalagem é atrativa, se o sabor agrada, se o posicionamento funciona e se não há qualquer elemento visual, cultural ou simbólico que gere rejeição.
O preço é outro ponto fundamental. Não basta querer vender. É preciso saber se o valor praticado será competitivo diante dos concorrentes. Para isso, a empresa precisa avaliar custos de produção, importação, logística, impostos, distribuição, margem dos varejistas e preço final na gôndola. Muitas vezes, a conta começa de trás para frente: primeiro se entende quanto o consumidor está disposto a pagar; depois se verifica se é possível produzir, transportar e vender com lucro dentro dessa faixa.
A promoção é a parte mais visível da estratégia. É onde entra o marketing esportivo. Ao escolher patrocinar um grande clube de futebol, a marca buscou exposição, associação emocional e presença em um território de enorme paixão nacional. A decisão fazia sentido. O futebol é um dos caminhos mais poderosos para gerar reconhecimento, lembrança e desejo de consumo no Brasil.
Até aqui, três Ps pareciam bem encaminhados: produto, preço e promoção.
O problema estava no quarto P: praça.
Praça significa ponto de venda. É a distribuição. É a presença real do produto no mercado, na padaria, no supermercado, na loja de conveniência, no posto de gasolina, no aplicativo de entrega, no estádio, no bar e nos lugares onde o consumidor efetivamente compra.
E foi justamente aí que a estratégia falhou.
A marca começou a aparecer na camisa do clube. O torcedor via o patrocinador durante os jogos, nas transmissões, nas fotos, nas entrevistas, nas redes sociais e nos materiais de comunicação. A curiosidade foi despertada. O interesse começou a surgir. O consumidor passou a reconhecer o nome da marca.
Mas, quando ia ao supermercado, não encontrava o produto.
Quando passava na loja de conveniência, também não encontrava.
Quando procurava na padaria, não encontrava.
Quando sentia vontade de experimentar, só havia produtos concorrentes disponíveis.
Resultado: a campanha gerava desejo, mas não convertia venda.
Esse é um erro grave. O marketing esportivo pode despertar atenção, construir reputação e gerar curiosidade, mas ele não substitui a operação comercial. Se o consumidor é impactado pela marca e não encontra o produto para comprar, toda a energia gerada pela exposição pode acabar beneficiando a concorrência.
Em outras palavras: a empresa patrocinava o clube, mas quem vendia era o concorrente.
Esse caso ensina uma lição importante para marcas que desejam entrar no esporte. Patrocínio não é apenas colocar uma logomarca na camisa. Patrocínio precisa fazer parte de uma estratégia maior, integrada com distribuição, comercial, comunicação, ativação e ponto de venda.
A camisa dá visibilidade.
Mas a gôndola fecha a venda.
Quando uma marca investe no futebol, ela precisa planejar o caminho completo do consumidor. Primeiro, ele vê a marca. Depois, entende o que ela oferece. Em seguida, sente vontade de experimentar. E, finalmente, precisa encontrar o produto disponível no momento da compra.
Se essa última etapa falha, todo o investimento anterior perde força.
Esse exemplo também mostra que marketing esportivo não é uma ilha isolada dentro da empresa. Ele precisa conversar com o marketing corporativo, com a área comercial, com logística, com distribuição, com trade marketing, com vendas e com o planejamento financeiro.
Os 4 Ps precisam funcionar juntos.
Produto sem preço adequado não vende.
Preço sem promoção não gera desejo.
Promoção sem praça gera frustração.
E praça sem produto competitivo não sustenta mercado.
No caso dessa marca de energético, o futebol cumpriu seu papel: entregou visibilidade, exposição e lembrança. O que faltou foi transformar essa visibilidade em presença comercial concreta.
Por isso, antes de entrar no esporte, uma marca deve se fazer algumas perguntas básicas:
O produto está adequado ao mercado?
O preço é competitivo?
A campanha vai gerar desejo?
O produto estará disponível quando o consumidor quiser comprar?
Essa última pergunta talvez seja uma das mais importantes.
Porque não existe patrocínio capaz de compensar uma falha de distribuição.
No fim, essa história reforça uma verdade essencial: marketing esportivo bem feito não termina na exposição da marca. Ele termina quando a estratégia consegue transformar atenção em relacionamento, relacionamento em consumo e consumo em resultado.
Aparecer é importante.
Ser lembrado é melhor.
Mas estar disponível para venda no momento certo é indispensável.


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